sábado, 11 de outubro de 2008

A Pobreza nos Estados Unidos ACORN 2008

REUNIÃO DOS DELEGADOS DA FIAS, REGIÃO EUROPA- PORTO, MAIO 2008

De 16 a 18 de Maio de 2008 decorreu no Porto, Portugal, mais uma reunião dos delegados da Federação Internacional dos Assistentes Sociais (FIAS) Região Europa.
Portugal foi um dos 21 países presentes bem como a Alemanha, Áustria, Bielorrússia, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Islândia, Lituânia, Malta, Noruega, Reino Unido, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça e Turquia. Sérvia também esteve presente na qualidade de observador, porque ainda não entrou para a Federação o que se prevê para breve.
Uma reunião de 3 dias com 26 pontos em agenda, com uma enorme representatividade dos países membros e com um número recorde de 70 participantes.

A reunião iniciou-se com um discurso de boas vindas da Associação de Profissionais de Serviço Social, proferido pela Presidente da APSS, Professora Doutora Fernanda Rodrigues, momento formal mas emotivo e belo, dado que teve como música de fundo a Grândola de José Afonso. Após a aprovação da acta da última reunião de Parma realizada em Março de 2007, foram apresentados, discutidos e aprovados os relatórios de actividades do Comité Executivo para 2007/2008, do Comité Permanente para os Assuntos Europeus, dos Representantes para o Conselho da Europa, do Comité Europeu para os Direitos Humanos, dos Representantes noutras organizações como a ENSACT e Comités Globais dos Direitos Humanos e Ética.

Também foram apresentados, discutidos e aprovados os relatórios de contas 2007 e planos de acção e orçamentos para 2008/2009.

A APSS considerou como prioritárias algumas acções apresentadas no plano e manifestou o seu compromisso para um maior envolvimento e colaboração nacional ao nível do novo Projecto da FIAS Europa, para o qual está designada a Colega Graça André como pessoa responsável, do trabalho com a União Europeia que ficou sobre a responsabilidade da Professora Doutora Fernanda Rodrigues, tendo também a APSS manifestado um particular interesse em colaborar na revisão da Definição de Serviço Social, assunto que será discutido na próxima Assembleia Mundial que decorrerá no Brasil.

Projecto da FIAS Europa: “Standards for Social Work Meeting Human Rights”
Foram apresentadas as linhas gerais para o Projecto que está ainda numa fase inicial. Aguardam-se ainda os questionários preenchidos por todos os países europeus, que foram recentemente enviados.
Seguidamente realizar-se-ão workshops em vários países para dar continuidade ao trabalho neste projecto. Estudo Europeu “O Stress e o Burnout nos Assistentes Sociais”
A ANAS, Associação Nacional de Assistentes Sociais de França apresentou os resultados deste estudo para o qual fora designada pelo Observatório da Pobreza do seu país para realizar um survey europeu sobre o stress, esgotamento e burnout dos Assistentes Sociais, que estão habitualmente envolvidos directamente no terreno com as populações mais vulneráveis, em situação de precariedade, pobreza e exclusão social. Esta investigação representou uma importante oportunidade não só para a recolha de novos dados comparativos sobre o trabalho social mas também sobre as políticas públicas face à pobreza e exclusão social. Os resultados finais deste estudo foram já publicados no blog do GRINAPSS.
Portugal colaborou neste estudo bem como mais 8 países da Europa e foram recebidos pela ANAS um total de 35 questionários. Dia Mundial de Serviço Social
Foi referido pelo Presidente da FIAS Global, David Jones, que também participou nesta reunião, que a comemoração do DMSS decorreu com enorme sucesso em 2008, já que 36 países assinalaram a data com acções nacionais. O dia foi também celebrado nas Nações Unidas com 900 participantes.
A FIAS global já determinou que se passe a comemorar anualmente o Dia Mundial do Serviço Social na 3ª Terça-feira do mês de Março, pelo que o próximo está já agendado para 17 de Março de 2009.
Os temas para 2009 e 2010 serão discutidos e aprovados na Assembleia Mundial no Brasil.

Ordem dos Assistentes Sociais de Portugal
A APSS apresentou como ponto de agenda nesta reunião, uma proposta à FIAS Europa de Suporte à Nova Regulamentação da Organização Profissional dos Assistentes Sociais de Portugal (ORDEM) que foi unanimemente aprovada, o que contribuirá para o reforço da luta neste processo, pois contamos com o apoio de toda a Europa. Foi manifestado pelo Presidente da FIAS Global, David Jones um grande apoio e reconhecimento relativamente ao processo, tendo sugerido que a mesma proposta seja apresentada na próxima Assembleia Mundial no Brasil.

Eleições
Entraram 2 novos elementos para o Comité Executivo da FIAS Europa, Cristina Martins de Portugal e Veronique Barré da França. Foram também eleitos a Representante para o Conselho da Europa, Gabriele Stark-Angermeier, a Representante para os Direitos Humanos, Ruth Stark, a Representante para a Comissão de Ética, Dalija Snieskiené e o Oficial Europeu para as Eleições, John Brennan.

A reunião decorreu com enorme sucesso e terminou com uma saudação ao futuro da FIAS Europa, com um brinde de vinho do Porto. De referir ainda que a reunião contou com um momento social, um jantar oferecido a todos os participantes no Restaurante Barão de Fladgate nas Caves Taylor’s, antecedido duma visita às caves e prova de vinho do Porto.Como animação musical um grupo de músicos (Luís Pedro Madeira, Jorge Queijo, Gonçalo Leonardo, Gonçalo Cadilhe, Catarina Moura e Cristina Martins) apresentou um reportório de música portuguesa e de alguns temas internacionais.

Próximas reuniões:
A próxima reunião europeia de delegados está agendada de 24 a 26 de Abril de 2009 em Dubrovnik, Croácia, previamente à Conferência Europeia da FIAS.

Antes dessa data haverá ainda uma reunião europeia de delegados, informal, durante a próxima Assembleia Mundial da FIAS Global, em Salvador da Baía, Brasil, no dia 15 de Agosto de 2008.

Apoios-agradecimentos
A APSS contou com o apoio da Sociedade Águas do Luso e Turismo do Porto bem como com a eficiência e simpatia dos serviços prestados pelo Hotel Mercure- Batalha, Hotel Quality Inn- Batalha e Restaurante Barão de Fladgate-Caves Taylor’s.

O nosso muito obrigado a todos que contribuíram para o sucesso deste evento.

Cristina Martins
Relações Internacionais-APSS

INTERCÂMBIO INTERNACIONAL COM ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS- ANAS, FRANÇA

Centro de Acolhimento Temporário de Crianças em Risco “Mãe d’Água”

Visitámos um Centro de Acolhimento Temporário para Crianças dos 0 aos 4 anos. O tempo de internamento das crianças não excede geralmente o período de 1 ano. As crianças são colocadas após decisão judicial. Tratam-se de crianças abandonadas ou em perigo. É efectuado um trabalho com os pais pelo pessoal da Instituição em conjunto com a responsável da Segurança Social. Após a sua colocação institucional estas crianças podem regressar a casa com um acompanhamento, ser recebidas por uma família de acolhimento ou ser adoptadas. O pessoal é composto de 12 intervenientes, educadores, psicólogos, médicos, professores e auxiliares educativos. A Directora Técnica é uma Assistente Social. O pessoal ocupa-se de 30 crianças, tendo cada criança um responsável por ela. A estrutura é acolhedora. As crianças partilham um quarto para 4 pessoas. Seguem na Instituição a sua escolaridade. O estabelecimento é financiado pelo Estado e fundos privados. O pessoal articula com a Segurança Social que representa o Estado. A designação de Segurança Social significa o mesmo que os nossos serviços de polivalência, de assistência social à criança e saúde.
O sistema de protecção à criança consiste em informar os Assistentes Sociais da Segurança Social sobre as crianças em risco, sendo depois realizada uma averiguação por esses serviços. São feitas propostas de intervenção aos pais. Se estes recusam e se a criança está em risco a justiça é informada e uma decisão judicial, mesmo sem o acordo dos pais, é tomada.
Serviço de Pediatria do Instituto Português de Oncologia do Porto

O Serviço de Oncologia para crianças dos 0 as 16 anos é composto dum serviço de internamento e dum serviço de ambulatório. O financiamento é público mas associações de luta contra o cancro desempenham aqui também um papel importante.
No serviço ambulatório os pais esperam com as crianças numa sala de espera separada dos outros serviços, as crianças efectuam tratamentos de quimioterapia e são observadas em consultas médicas de acompanhamento.
Se o seu estado clínico não lhes permite de seguirem um tratamento em regime ambulatório são hospitalizadas. A mãe ou pai podem permanecer ao seu lado durante o período de internamento. O acompanhante faz as suas refeições no mesmo local que o pessoal hospitalar. As crianças continuam a sua escolaridade mesmo em internamento hospitalar. A equipa hospitalar reúne todas as Segundas-feiras para discussão dos novos casos e dos doentes internados. Todo o pessoal incluindo a Assistente Social realiza um acompanhamento directo constante com todos os pais e crianças doentes.
O Serviço Social está localizado no piso da entrada da Instituição junto a serviços administrativos. As Assistentes Sociais têm gabinetes de permanência para receber as famílias dos doentes. A Assistente Social do serviço de oncologia pediátrica pode atender as famílias no Serviço de Pediatria ou no gabinete de Serviço Social.
Ela trabalha em articulação com o pessoal do Serviço e das estruturas da comunidade. Tem dossiers organizados para os requerimentos de subsídios do Estado. Actualmente um dos pais pode suspender a sua actividade profissional para prestar assistência ao filho doente e receber uma prestação do Estado. No entanto, este subsídio é destinado apenas se a criança tiver até 12 anos de idade. O Serviço Social apela que esta prestação seja atribuída às crianças com doença crónica até aos 18 anos.

Escrito por Christine Windstrup – Junho 2008


IMPRESSÕES DO GRUPO DAS CINCO SOBRE AS VISITAS SOCIAIS EFECTUADAS, ORGANIZADAS POR CRISTINA MARTINS
Véronique Barré, Michèle Chaumeau, Marie-Geneviève Mounier, Marie-Andrée Sadot, Christine Windstrup

« Duas visitas onde tive o sentimento de perceber uma grande qualidade nas relações profissionais/utentes/institucionais, e o respeito pelos profissionais e seu papel; tudo isto num contexto relacional caloroso”

“Nas 2 visitas apreciei particularmente a qualidade, o calor do acolhimento estampado no olhar dos utentes e o grande profissionalismo dos intervenientes também no que respeita às crianças como às famílias. A preocupação com a ética é muito grande e a qualidade da relação de ajuda está bem presente em cada interveniente. Bravo pela afirmação na vida quotidiana dos fundamentos do Serviço Social.”

“ Estas 2 visitas foram muito complementares. Permitiram-nos perceber a evolução dos serviços médico-sociais num outro país europeu e igualmente melhor compreender os valores subjacentes. Estes valores perecem determinantes e têm efectivamente um impacto forte em termos de concepção destas diferentes estruturas de serviços, das suas modalidades de organização e de financiamento.
Estes intercâmbios permitem-nos também melhor avaliar a evolução dos serviços médico-sociais franceses num contexto europeu”

“Estas 2 visitas mostram o lugar real do utente, o respeito dos profissionais ao seu serviço, as relações calorosas e tão construtivas entre os utentes e os profissionais. Também se pôde notar as relações cordiais entre profissionais de hierarquias diferentes”

“Eu apreciei muito esta convivência. Reparei na importância da posição de utente, do acompanhamento às famílias e seguimento. Também constatei que os serviços públicos e os privados trabalham bem em conjunto. Fiquei contente de ver as semelhanças das funções da Assistente Social (exemplo do Hospital) e do sistema de protecção social. Espero que tal nos una para combater em conjunto os disfuncionalismos dos sistemas actuais.”


…E OBRIGADA CRISTINA PELA TUA DISPONIBILIDADE

ÉTICA NO SERVIÇO SOCIAL: DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSISTENTES SOCIAIS ( FIAS )
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL ( AIESS )



ÉTICA NO SERVIÇO SOCIAL: DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS



1. Preâmbulo

A consciência ética é uma componente fundamental da prática d@s assistentes sociais. A sua capacidade e empenho em agir eticamente é um aspecto essencial da qualidade do serviço que prestam aos cidadãos

O objectivo da FIAS e da AIESS, neste domínio, é promover o debate e a reflexão ética nas organizações filiadas, entre @s que exercem o Serviço Social nos países membros, nas escolas de Serviço Social e junto d@s respectiv@s estudantes. Alguns desafios e problemas com que se confrontam @s assistentes sociais são específicos de certos países, outros são comuns. De acordo com os princípios gerais, a declaração conjunta da FIAS e da AIESS pretende encorajar @s assistentes sociais de todo o mundo a reflectirem sobre os desafios e dilemas que @s interpelam e a tomar decisões eticamente informadas, sobre como actuar em cada caso particular. Algumas destas áreas-problema incluem:

- O facto de a lealdade d@s assistentes sociais se encontrar, frequentemente, confrontada com interesses que colidem entre si;
- O facto de @s assistentes sociais funcionarem, simultaneamente, como suporte e controlo;
- Os conflitos entre o dever d@s assistentes sociais protegerem os interesses das pessoas com quem trabalham e as exigências sociais de eficiência e utilidade;
- O facto de os recursos da sociedade serem limitados.

Este documento tem como ponto de partida a definição de Serviço Social, adoptada, separadamente, pela FIAS e pela AIESS nas respectivas Assembleias Gerais em Montreal, Canadá, em Julho de 2000 e, posteriormente, acordada como única, em Copenhaga, em Maio de 2001 (secção 2). Esta definição sublinha os princípios dos direitos humanos e justiça social. A secção seguinte (3) faz referência às várias declarações e convenções sobre direitos humanos que são relevantes para o Serviço Social, seguidas de uma declaração de princípios éticos gerais assentes nos dois princípios de direitos humanos: dignidade e justiça social (secção 4). A secção final introduz uma orientação básica da conduta ética no Serviço Social, que se espera ser elaborada como orientação ética dos vários códigos e linhas directivas das organizações membros da FIAS e AIESS.


2. Definição de Serviço Social

A profissão de Serviço Social promove a mudança social, a resolução de problemas nas relações humanas e o reforço da emancipação das pessoas para promoção do bem-estar. Ao utilizar teorias do comportamento humano e dos sistemas sociais, o Serviço Social intervém nas situações em que as pessoas interagem com o seu meio. Os princípios dos direitos humanos e da justiça social são fundamentais para o Serviço Social.


3. Convenções Internacionais

As declarações e convenções internacionais sobre direitos humanos alcançam padrões comuns reconhecendo direitos que são aceites pela comunidade global. Os documentos com mais relevância para a prática do Serviço Social são:

- Declaração Universal dos Direitos Humanos;
- Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos;
- Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos e Culturais;
- Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial;
- Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres;
- Convenção sobre os Direitos da Criança;
- Convenção dos Povos Indígenas e Tribais (Convenção ILO 169)


4. Princípios

4.1. Direitos Humanos e Dignidade Humana

O Serviço Social baseia-se no respeito pelo valor da dignidade inerente a todas as pessoas, e pelos direitos que daí advêm. @s assistentes sociais devem promover e defender a integridade e o bem-estar físico, psicológico, emocional e espiritual de cada pessoa. Isto significa:

1. Respeitar o direito à auto-determinação: @s assistentes sociais devem respeitar e promover o direito à liberdade de escolha e tomada de decisão independentemente dos seus valores e opções de vida, desde que não ameacem os direitos e interesses legítimos de terceiros;
2. Promover o direito à participação: @s assistentes sociais devem promover o envolvimento e a participação em pleno, das pessoas, utilizando os seus serviços de modo a capacitá-las para o reforço de todos os aspectos de decisão e acções que afectem as suas vidas.
3. Tratar cada pessoa como um todo: @s assistentes sociais devem considerar a totalidade da pessoa, a família, a comunidade, o meio social e natural, ou seja, identificar todos os aspectos da sua vida.
4. Identificar e desenvolver competências: @s assistentes sociais devem focalizar-se nas competências de todos os indivíduos, grupos e comunidades e, dessa forma, promover o ”empowerment”.

4.2. Justiça Social

@s assistentes sociais têm a responsabilidade de promover a justiça social em relação a toda a sociedade e às pessoas com quem trabalham. Isto significa:

1. Desafiar a discriminação negativa[1]: @s assistentes sociais têm a responsabilidade de rejeitar a discriminação negativa, com base em características tais como aptidão, idade, cultura, género, estado civil, estatuto sócio-económico, opiniões políticas, cor da pele, raça ou outras características físicas, orientação sexual ou crenças espirituais.
2. Reconhecer a diversidade: @s assistentes sociais devem reconhecer e respeitar a diversidade étnica e cultural das sociedades onde exercem a sua prática, tendo em conta as diferenças individuais, familiares, grupais e comunitárias.
3. Distribuir os recursos equitativamente: @s assistentes sociais devem assegurar que os recursos disponíveis são distribuídos de um modo justo de acordo com as necessidades de cada um.
4. Desafiar práticas e políticas injustas: @s assistentes sociais têm o dever de chamar a atenção aos seus empregadores, governantes, políticos e público em geral, para as situações nas quais os recursos ou a sua distribuição são inadequados, assim como para as políticas e as práticas opressivas, injustas e dolosas.
5. Trabalhar em prol da solidariedade: @s assistentes sociais têm a obrigação de questionar as condições sociais que levam à exclusão social, estigmatização ou submissão, e trabalhar para uma sociedade inclusiva.


5. Conduta Profissional

É da responsabilidade das organizações nacionais membros da FIAS e da AIESS desenvolver e actualizar regularmente os seus códigos de ética ou linhas de orientação, para que estejam em consenso com a declaração da FIAS/AIESS. É, também, da responsabilidade das organizações nacionais informar @s assistentes sociais e as escolas de Serviço Social sobre estes códigos ou linhas orientadoras.

@s assistentes sociais devem agir de acordo com o código de ética e linhas orientadoras vigentes no seu país. Esses códigos incluem uma orientação ética mais pormenorizada da prática profissional específica de cada contexto nacional. As linhas orientadoras gerais a aplicar na conduta profissional são as seguintes:

1. Espera-se que @s assistentes sociais desenvolvam as aptidões e competências exigidas à prática da sua profissão.
2. @s assistentes sociais não devem permitir que as suas competências sejam utilizadas para propósitos desumanos, tais como tortura ou terrorismo.
3. @s assistentes sociais devem agir com integridade. Isto inclui não abusar da relação de confiança com as pessoas que utilizam os seus serviços, reconhecendo as fronteiras entre a vida pessoal e profissional, e não usar da sua posição para benefício ou ganho próprios.
4. @s assistentes sociais devem agir com solidariedade, empatia e cuidado com aqueles que utilizam os seus serviços
5. @s assistentes sociais não devem subordinar as necessidades ou interesses das pessoas que utilizam os seus serviços às suas próprias necessidades ou interesses.
6. @s assistentes sociais têm o dever de tomar as medidas necessárias para se protegerem profissional e pessoalmente, no local de trabalho e na sociedade, de modo a assegurar a sua competência para prover serviços adequados.
7. @s assistentes sociais devem manter a confidencialidade em relação à informação sobre as pessoas que utilizam os seus serviços. As excepções a este princípio só se justificam com base num valor ético de maior dimensão, nomeadamente, a preservação da vida.
8. @s assistentes sociais devem ter consciência que são responsáveis pelos seus actos para com os utilizadores dos serviços, os colegas com quem trabalham, a entidade empregadora, a associação profissional e para com a lei. Devem, ainda, ter consciência que estas responsabilidades podem colidir entre si.
9. @s assistentes sociais devem disponibilizar-se para colaborar com as escolas de Serviço Social numa formação com qualidade ao nível da prática profissional.
10. @s assistentes sociais devem promover e participar em debates éticos com os seus colegas e empregadores, de modo a tomarem decisões eticamente informadas.
11. @s assistentes sociais devem estar preparados para fundamentar as suas decisões baseando-se em considerações éticas e, também, ser responsáveis pelas suas escolhas e acções.
12. @s assistentes sociais devem empenhar-se em criar condições para pôr em prática os princípios desta declaração e os seus códigos nacionais junto das entidades empregadoras para que os mesmos sejam discutidos, avaliados e reconhecidos.




Lisboa, Março de 2007

A tradução e revisão deste texto fica a dever-se muito especialmente ao trabalho de Lucinda Neto, Ernesto Fernandes e Rosa Primavera.




O documento “Ética no Serviço Social, Declaração de Princípios” foi aprovado nas Assembleias Gerais da Federação Internacional d@s Assistentes Sociais e da Associação Internacional das Escolas de Serviço Social, em Adelaide, Austrália, em Outubro de 2004.

Copyright 2004 Federação Internacional de Assistentes Sociais e Associação Internacional de Escolas de Serviço Social, PO Box 6875, CH-3001 Berna, Suíça.

Sobre esta matéria, consultar, nomeadamente: ONU, Direitos Humanos e Serviço Social, Lisboa, Departamento Editorial do ISSS Coop., 1999.

[1] Nalguns países, o termo discriminação é usado em vez de discriminação negativa. A palavra negativo é aqui utilizada porque, nalguns países, o termo discriminação positiva é também usado. A discriminação positiva é, também, conhecida como acção afirmativa. Discriminação positiva ou acção afirmativa significa que são dados passos para reparar os efeitos da discriminação histórica para com os grupos referidos no nº1 da cláusula 4.2.

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE TRABALHADORES SOCIAIS DEFINIÇÃO DE TRABALHO SOCIAL

DEFINIÇÃO*
O exercício da profissão de assistente social promove a mudança social, a resolução de problemas no contexto das relações humanas e a capacidade e empenhamento das pessoas na melhoria do “bem estar”. Aplicando teorias de comportamento humano e dos sistemas sociais, o trabalho social focaliza a sua intervenção no relacionamento das pessoas com o meio que as rodeia. Os princípios de direitos humanos e justiça social são elementos fundamentais para o trabalho social.

COMENTÁRIO
O trabalho social, nas suas diversas vertentes, abrange as múltiplas e complexas interrelações que se estabelecem entre as pessoas e o meio que as envolve. A sua missão é ajudar as pessoas a desenvolverem todas as suas potencialidades, a enriquecerem as suas vidas e a prevenir as disfunções.Desta forma, os profissionais do trabalho social são agentes de mudança na sociedade e também na vida dos indivíduos, famílias e comunidades a quem o seu trabalho se dirige. Ao trabalho social está subjacente um conjunto articulado de valores, de teorias e de práticas.

Valores
O trabalho social desenvolve-se a partir dos ideais de humanismo e democracia e os seus valores radicam no respeito pela Igualdade, valor e dignidade de todos. Desde o seu inicio, há um século atrás, o trabalho social centrou a sua acção na resposta às necessidades das pessoas, bem como ao desenvolvimento das capacidades do ser humano. Os direitos humanos e a justiça social motivam e legitimam a sua acção. Solidariamente com os mais desfavorecidos visa mitigar a pobreza e liberar as pessoas vulneráveis e oprimidas promovendo a sua inclusão social. Os valores subjacentes ao trabalho social constam de códigos de ética da profissão a nível nacional e internacional.

Teoria
A metodologia do trabalho social apoia-se num conjunto de conhecimentos empíricos e resultantes de investigação e de avaliação de experiências praticas, incluindo conhecimentos específicos, inerentes a determinados contextos locais. O trabalho social tem em conta a complexidade das interacções entre os seres humanos e o meio que os rodeia e a capacidade destes apesar de afectados por isso, de estarem preparadas para as modificarem incluindo os factores de âmbito bio-psicosocial. O exercício desta profissão apoia-se em teorias de desenvolvimento de comportamento humano e ainda de sistemas sociais para analisar situações complexas e proporcionar transformações a nível individual, organizacional, social e cultural.

Prática
O trabalho social enfrenta as barreiras, desigualdades e injustiças existentes na sociedade. Actua em situações de crise e de emergência, mas também dá resposta aos problemas de natureza pessoal e social do dia-a-dia. Este tipo de trabalho utiliza uma variedade de práticas, técnicas e acções em consonância com a abordagem holística (integral) do ser humano e do ambiente que o rodeia. A variedade de intervenções do trabalho social passa desde processos de natureza psicosocial focalizados a nível individual até intervenções relacionadas com política social planeamento social e desenvolvimento social. As intervenções integram aconselhamento, acompanhamento de casos, trabalho de grupo, trabalho social de cariz pedagógico, tratamento e terapia familiares, bem como ajudar as pessoas a obter os bens e serviços disponíveis na comunidade. A sua intervenção inclui ainda a gestão de organismos, de serviços comunitários e envolvimento em acções político-sociais para influenciar a política social e o desenvolvimento económico. A intervenção holística do trabalho social é universal, mas as prioridades no seu exercício variam de país para país e de tempos a tempos, conforme as condições culturais, históricas e sócio-económicas existentes.

*A definição internacional da profissão de trabalho social substitui a adoptada pela IFSW em 1982. É evidente que trabalho social no século XXI é dinâmico evolutivo, nenhuma definição se pode considerar exaustiva e definitiva.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

“O SERVIÇO SOCIAL E OS DIREITOS DA CRIANÇA – UM MANUAL DE FORMAÇÃO SOBRE A CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS”

A Casa Pia de Lisboa é responsável pela edição portuguesa do documento da Federação Internacional dos Assistentes Sociais (FIAS) “Social Work and the Rights of the Child- A Professional Training Manual on the UN Convention”- IFSW.

O Manual foi lançado no Seminário “Direitos das Crianças e Intervenção. Que competências?”, organizado pela Casa Pia e outras Instituições, que decorreu de 23 a 24 de Abril de 2008 no Centro Ismaili em Lisboa.

Ruth Stark, representante da FIAS Europa para os Direitos Humanos da FIAS Global e a Presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social Professora Doutora Fernanda Rodrigues, apresentaram a obra com a moderação de Graça André, Assistente Social da Casa Pia e membro do GRINAPSS.

Graça André participou na revisão técnica do Manual juntamente com Ana Cruz Laje e Ivone Monteiro do Instituto da Segurança Social, Rosa Clemente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Rosa Tomé do Instituto Superior Miguel Torga e Aida Ferreira da Associação dos Profissionais de Serviço Social.

Para adquirir o livro dirijam o seu pedido à Presidente do Conselho Directivo da Casa Pia de Lisboa, Dr.ª Maria Joaquina Madeira – Serviços Centrais – Casa Pia de Lisboa – Av. Restelo nº 1, Lisboa.



Plataforma "Para a Cidadania das Crianças"

Foi apresentada uma proposta para a constituição de uma Plataforma a partir da iniciativa conjunta da Casa Pia de Lisboa, Instituto da Segurança Social – Centro Distrital de Lisboa, Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Prevê-se vir a envolver as organizações da região de Lisboa, que intervêm no âmbito da problemática das Crianças e Jovens em risco ou perigo, com vista a melhorar-se as competências dos agentes com referência aos Direitos das Crianças conforme consignados na convenção das Nações Unidas.

RELATÓRIO DE ACTIVIDADES 2007 DO GRINAPSS

As Relações Internacionais na APSS, a cargo do GRINAPSS (Grupo de Relações Internacionais da APSS) têm como principal objectivo: Promover e fortalecer as relações internacionais a nível profissional e académico.

Em 2007 a equipa do GRINAPSS manteve a seguinte constituição:
. Alfredo Henríquez- contacto para a América Latina em todas as áreas
. Cristina Martins – responsável pelo Grupo e contacto para a FIAS Europa e Global e Membro do Comité Executivo da FIAS Europa (First Deputy Member)
. Graça André- contacto para os Direitos Humanos da FIAS e ligação com as Escolas sobre as questões do Ensino em Serviço Social – Europa

O GRINAPSS continuou a desenvolver as acções a que se propôs no seu plano de acção para o triénio 2005-2007, tais como:

1.recebendo e divulgando a informação sobre Serviço Social a nível internacional
O blog do GRINAPSS continuou a ser um dos mais importantes veículos para atingir esse fim.

2.mantendo activa a comunicação internacional
Respondendo aos emails que nos foram chegando com pedidos de informação e/ou colaboração de diversa ordem.

3.mantendo um correspondente oficial na FIAS
A Colega Cristina Martins do GRINAPSS continuou como correspondente oficial na FIAS, divulgando iniciativas promovidas em Portugal, tais como eventos organizados pela APSS e toda e qualquer acção realizada no âmbito da promoção da profissão e com importância na área do Serviço Social, tendo enviado informação em forma de artigo para a European Social Worker.

4.participando nas reuniões de delegados da FIAS (europeias e globais)
A Colega Cristina Martins do GRINAPSS participou de 17 a 19 de Março de 2007, com a Colega Graça André, na Reunião de Delegados da FIAS Europa, que se realizou em Parma, Itália e onde foi eleita como First Deputy Member do Comité Executivo da FIAS-Europa.
Deu também início em 2007 à organização da próxima reunião de Delegados da FIAS Europa, que decorrerá de 16 a 18 de Maio de 2008 na cidade do Porto.

5.participando em grupos de trabalho internacionais
O Grupo do Sul da Europa e Mediterrâneo da FIAS – Europa, constituído em 2006 com o objectivo de estimular a troca de informação entre as associações que integram o grupo (Portugal, Malta, Espanha, França, Itália e Chipre) sobre educação, prática, métodos, etc., apoiando a participação activa dos seus elementos no seio da FIAS, reuniu mais uma vez em Parma, paralelamente à Reunião de Delegados, tendo sido discutidas várias hipóteses de acções a desenvolver no futuro, nomeadamente organização de visitas de estudo entre as respectivas associações profissionais.

6.participando nas actividades promovidas pela FIAS (comemorações, projectos, estudos, documentos, etc.):

6.1.Dia Mundial d@ Assistente Social
O GRINAPSS colaborou no primeiro Dia Mundial d@ Assistente Social realizado em 27 de Março de 2007, através da promoção e divulgação da iniciativa, tendo a Colega Cristina Martins integrado a Comissão Organizadora da Jornada Nacional promovida em Portugal para a comemoração do Dia.

A APSS promoveu uma Jornada Nacional para a Comemoração do Dia Mundial d@ Assistente Social, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos a 27 de Março de 2007, numa iniciativa conjunta com a Associação de Investigação e Debate em Serviço Social (AIDSS).

6.2.Projecto da FIAS Europa “Serviço Social Promovendo a Coesão Social”
O Relatório Final do Projecto, que contou com a colaboração de Portugal-APSS, aprovado na Reunião de Delegados europeia realizada em Parma de 17 a 19 de Março de 2007, foi divulgado pelo GRINAPSS no seu blog.

6.3.Estudo Europeu “O Stress e o Burnout nos Assistentes Sociais”
A Colega Cristina Martins colaborou no estudo promovido pela Associação Nacional Francesa de Assistentes Sociais (ANAS) através de resposta a questionário e entrevista realizada via telefone.
A ANAS fora designada pelo Observatório da Pobreza do seu país para realizar um survey europeu sobre o stress, esgotamento e burnout dos Assistentes Sociais, que estão habitualmente envolvidos directamente no terreno com as populações mais vulneráveis, em situação de precariedade, pobreza e exclusão social. Esta investigação representou uma importante oportunidade não só para a recolha de novos dados comparativos sobre o trabalho social mas também sobre as políticas públicas face à pobreza e exclusão social. Os resultados finais deste estudo foram já publicados no blog do GRINAPSS.

O resultado deste estudo vai ser apresentado pela ANAS na próxima Reunião de Delegados da FIAS Europa no Porto, por sugestão efectuada pela Colega ao Comité Executivo Europeu.

6.4. “IFSW Meeting the United Nations Committee on the Rights of the Child”
A Colega Graça André enviou um contributo escrito sobre os Direitos das Crianças, respondendo ao que nos fora solicitado pela FIAS Global, de forma a colaborar para um documento final que tenha em conta as realidades dos vários países membros da Federação sobre a matéria.

6.5. “Standards for Social Work Meeting Human Rights”
A Colega Graça André ficou responsável pela colaboração no novo Projecto da FIAS – Europa, na qualidade de contacto para os Direitos Humanos, tendo sido inclusive sua sugestão esse tema, durante a realização de trabalhos de grupo na Reunião de Delegados de Parma para apresentação de propostas de temas para o novo projecto da FIAS
Europa. O tema veio a ser escolhido pelo Comité Executivo Europeu da FIAS estando prevista a realização dum workshop durante a próxima Reunião de Delegados europeia no Porto para dar início ao trabalho no Projecto. Já foi solicitada também a resposta a um questionário preliminar no âmbito deste Projecto.

7.incentivando e promovendo intercâmbios associativos internacionais
Neste contexto foram renovados contactos com algumas Associações, estando já agendada uma Visita de Estudo de Assistentes Sociais francesas da Association Nationale des Assistants de Service Social (ANAS) para Maio de 2008 na cidade do Porto, a Serviços de Protecção à Criança.

8.desenvolvendo esforços no sentido de garantir a presença dos profissionais e estudantes portugueses em eventos regionais e mundiais

8.1.Conferência Mundial de Serviço Social
O GRINAPSS desenvolveu um protocolo com a agência de viagens GEOTUR para assegurar uma grande participação portuguesa na próxima Conferência Mundial de Serviço Social que será no Brasil de 16 a 19 de Agosto de 2008 na cidade de Salvador, do estado da Bahia, o qual foi publicitado no seu blog.



Grupo de Relações Internacionais da APSS