quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Críse Portuguesa Acordo Para O Programa de Assistência Financeira

Acordo para o programa de assistência financeira tem por base o PEV IV 

 
2011-05-03
 
Declaração do Primeiro-Ministro sobre o acordo para o programa de assistência financeira
Gostaria de anunciar aos portugueses que o Governo chegou hoje a acordo com as delegações das instituições internacionais quanto ao programa de assistência financeira a Portugal.
O Governo conseguiu um bom acordo. Este é um acordo que defende Portugal. Naturalmente, não há programas de assistência financeira que não sejam exigentes e que não impliquem muito trabalho. Isso não existe. Os tempos que vivemos continuam em implicar esforços e muito trabalho. Ninguém duvide. Mas conhecendo outros programas de ajuda externa e depois de tantas notícias especulativas publicadas pela imprensa, o meu primeiro dever é tranquilizar os portugueses.
O acordo que o Governo conseguiu:
  • Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança;
  • Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês dos reformados;
  • Não tem mais cortes nos salários da função pública;
  • Não prevê a redução do salário mínimo;
  • E, ao contrário do que ainda hoje diz um jornal, não corta nas pensões acima dos 600 euros - mas apenas nas pensões mais altas, acima dos 1 500 euros, como se fez este ano nos salários e como estava previsto no PEC. Mais: está expressamente admitido o aumento das pensões mínimas, tal como o Governo sempre pretendeu.
Com este acordo o Governo garante também que:
  • Não terá de haver nenhuma revisão constitucional;
  • Não haverá despedimentos na função pública;
  • Não haverá despedimentos sem justa causa;
  • Não haverá privatização da Caixa Geral de Depósitos;
  • Mantém-se a tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde;
  • Mantém-se a escola pública;
  • E não haverá privatização da segurança social, nem plafonamento das contribuições, nem alterações à idade legal de reforma, graças à reforma da Segurança Social que fizemos em 2007.
As instituições internacionais reconhecem, portanto, que a situação portuguesa está longe de ser como a de outros países e muito longe de ser como alguns internamente a pretenderam descrever.
Não posso entrar, ainda, em muitos detalhes sob o conteúdo do programa – segue-se ainda a consulta final aos partidos políticos -  mas, em acordo com a Troika, posso adiantar cinco informações:
Primeiro, as medidas previstas são essencialmente as do PEC IV. É certo que nalguns casos com maior aprofundamento, com maior detalhe das medidas para 2012 e 2013, algumas – poucas – medidas novas e ainda uma série de procedimentos de análise e monitorização que são habituais neste tipo de programas.
Segundo, este é um programa para três anos que define metas para uma redução mais gradual do défice: 5,9% do PIB este ano, 4,5% em 2012 e 3% em 2013;
Terceiro, a fixação de uma meta orçamental de valor superior para este ano resulta, exclusivamente, das alterações no perímetro orçamental recentemente adoptadas pelas autoridades estatísticas e dos efeitos negativos que a rejeição do PEC, a crise política e o próprio pedido de ajuda externa terão no crescimento da nossa economia;
Quarto, não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. Repito: não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. São suficientes as medidas previstas no Orçamento e as anunciadas no âmbito do PEC IV;
Quinto, as medidas para o mercado de trabalho baseiam-se, essencialmente, no Acordo Tripartido que celebrámos em Março com os parceiros sociais, com alguns desenvolvimentos sobretudo em áreas já sinalizadas no próprio Acordo e sempre de modo a preservar integralmente o equilíbrio nas relações laborais.
Com este acordo, o País obtém pela segunda vez - agora em termos diferentes – o apoio e a confiança das instituições internacionais, e de novo com base, no essencial, no programa de orientações e medidas que o Governo apresentou em Março.
Segue-se, como referi, o procedimento de consulta dos partidos da oposição. O que certamente o País espera é que, desta vez, prevaleça o sentido das responsabilidades e do superior interesse nacional.
O Governo manteve ao longo deste processo os deveres de reserva e o sentido institucional que a situação impunha. Estabelecemos, para isso, um sistema de informação e acompanhamento com os partidos da oposição e o Senhor Presidente da República, a quem transmiti hoje mesmo os termos da proposta de acordo.
Quero prestar reconhecimento ao excelente trabalho desenvolvido nestas negociações pelo senhor Ministro de Estado e das Finanças e por todos os membros do Governo e técnicos portugueses envolvidos no processo.
Dirijo, finalmente, aos portugueses uma palavra de confiança. Nenhuma Nação vence sem confiança em si própria. Esse sentimento de confiança deve prevalecer sobre o negativismo e sobre o pessimismo, atitudes que só conduzem à descrença, à paralisia e à desistência do futuro. Pela minha parte, o que tenho a dizer aos portugueses é isto: nós vamos vencer esta crise.

in http://www.portugal.gov.pt/pt/GC18/PrimeiroMinistro/Intervencoes/Pages/20110503_PM_Int_Acordo_Troika.aspx 

quarta-feira, 30 de março de 2011

A Crise e o Debate na Sociedade Portuguesa Contributos de Boaventura de Sousa Santos

A ditamole

Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, Portugal estará entrando em breve num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada “mercado”. Para evitar isso os cidadãos terão de dizer basta ao fascismo difuso instalado nas suas vidas e reaprender a defender a democracia e a solidariedade.

Boaventura de Sousa Santos



Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de quarenta anos, entre 1974 e 2010. Nos quarenta e oito anos que precederam a revolução de 25 de Abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar. A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada “mercado”. As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efetivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como ditamole.



Os sinais mais preocupantes da atual conjuntura são os seguintes. Primeiro, está a aumentar a desigualdade social numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804.000, isto é, cerca de 15% da população ativa; em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634.836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias européias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar cometendo suicídio.



Segundo, o Estado social, que permite corrigir em parte os efeitos sociais da desigualdade, é em Portugal muito débil e mesmo assim está sob ataque cerrado. A opinião pública portuguesa está sendo intoxicada por comentaristas políticos e econômicos conservadores – dominam os meios de comunicação como em nenhum outro país europeu – para quem o Estado social se reduz a impostos: os seus filhos são educados em colégios privados, têm bons seguros de saúde, sentir-se-iam em perigo de vida se tivessem que recorrer “à choldra dos hospitais públicos”, não usam transportes públicos, auferem chorudos salários ou acumulam chorudas pensões. O Estado social deve ser abatido. Com um sadismo revoltante e um monolitismo ensurdecedor, vão insultando os portugueses empobrecidos com as ladainhas liberais de que vivem acima das suas posses e que a festa acabou. Como se aspirar a uma vida digna e decente e comer três refeições mediterrânicas por dia fosse um luxo repreensível.



Terceiro, Portugal transformou-se numa pequena ilha de luxo para especuladores internacionais. Fazem outro sentido os atuais juros da dívida soberana num país do euro e membro da UE? Onde está o princípio da coesão do projeto europeu? Para gáudio dos trauliteiros da desgraça nacional, o FMI já está cá dentro e em breve, quando do PEC 4 ou 5, anunciará o que os governantes não querem anunciar: que este projeto europeu acabou.



Inverter este curso é difícil mas possível. Muito terá de ser feito em nível europeu e a médio prazo. A curto prazo, os cidadãos terão de dizer basta! Ao fascismo difuso instalado nas suas vidas e reaprender a defender a democracia e a solidariedade tanto nas ruas como nos parlamentos. A greve geral será tanto mais eficaz quanto mais gente vier para a rua manifestar o seu protesto. O crescimento ambientalmente sustentável, a promoção do emprego, o investimento público, a justiça fiscal, a defesa do Estado social terão de voltar ao vocabulário político através de entendimentos eficazes entre o Bloco de Esquerda, o PCP e os socialistas que apoiam convictamente o projeto alternativo de Manuel Alegre.


Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).


in http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4842

domingo, 20 de março de 2011

Concentração pela Ordem dos Assistentes Sociais

Sónia Guadalupe, Vice-Presidente da APSS, lendo o comunicado de
 Fernanda Rodrigues, Presidente da APSS

Francisco Branco, Presidente da Assembleia Geral da APSS,
apelando à mobilização da classe profissional

Graça Rafael, Presidente da Delegação Regional do Algarve da APSS

Graça André e Cristina Martins do GRINAPSS

sexta-feira, 18 de março de 2011

DIA MUNDIAL DO SERVIÇO SOCIAL NOS AÇORES


A Federação Internacional dos Assistentes Sociais, neste Dia Mundial do Serviço Social, apresenta como tema de discussão “A Resposta dos Assistentes Sociais à Crise Mundial: Juntos Construímos a Agenda!”
A Delegação dos Açores da Associação dos Profissionais de Serviço Social, saúda neste dia todas e todos as/os Assistentes Sociais que na Região Autónoma dos Açores dão o seu contributo na resposta aos problemas sociais em cooperação com outros profissionais na promoção do bem-estar social dos indivíduos, grupos e comunidades, sobretudo os mais vulneráveis da sociedade, facilitando a coesão social em tempos de crise como os que se vivem actualmente.
A Associação dos Profissionais de Serviço Social visa, entre outros objectivos, fortalecer e unificar ética e deontologicamente a profissão; promover o aperfeiçoamento profissional dos seus sócios; contribuir para a articulação do ensino de Serviço Social com a realidade em que os profissionais actuam; propor medidas de política social e criar projectos de intervenção social adequados ao actual estado da Região. Dai, o processo em curso na Assembleia da República, para a criação da Ordem dos Assistentes Sociais.
Nesta celebração, queremos endereçar o nosso apoio e estímulo aos estudantes da licenciatura em Serviço Social, particularmente, os da Universidade dos Açores.
Estamos crentes que a defesa e a promoção dos direitos e responsabilidades humanos são o referencial da Profissão e da humanização da Sociedade.

Delegação da APSS – Açores
Maria de Fátima Dias
Presidente da Direcção

quinta-feira, 17 de março de 2011

WORLD SOCIAL WORK DAY ‏ 2011

Dear Colleagues,

Tuesday the 15th of March 2011 celebrates social workers across Europe and in all other parts of the globe the World Social Work Day 2011. “Social Work voices responding to global crises: Together we develop the Agenda!“ is the common theme for this year’s celebration.

IFSW Europe does specifically focus on The Social Consequences of The Financial Crisis through a project. The European national associations for social workers are within that project informing each other about the social consequences of the financial crisis in each country, based on which IFSW Europe aims at articulating European social workers’ joint demands to the politicians and the public on interventions that is able to reduce these consequences. Do note the European video introducing the World Social Work Day gathered at a recent project workshop


The happy news is that we celebrate with one more person – Anthea Aguis, executive committee member has given birth to a beautiful baby girl Nina. So we send the congratulations of IFSW Europe to Anthea and Giuseppe.

I pledge that the debates and exchanges on the World Social Work Day can be brought forward to the European Conference in Brussels, 10 - 13 April 2011, organized by IFSW Europe and five other organizations within ENSACT. Here 700 European colleagues within the field of social work will meet to discuss “Social Action in Europe: Sustainable Social Development and Economic Challenges”. Do join us in Brussels in April, there is still room for your message, reflections and answers http://www.ensact.org/index/pages/id_page-1/lang-en/

Globally the Social Work profession helps nations respond to economic and social changes that disproportionately affect vulnerable people and communities. Working in partnership with many other professions, Social Work promotes the social wellbeing of individuals, groups and communities, facilitates social cohesion and crises intervention in periods of change and national disasters, e.g. during the changes in Eastern Europe, the financial crisis in Ireland, the protests and conflicts in the Middle East or the latest disasters in Japan and New Zealand. Social workers are there to support all citizens, to fight for the rights of all human beings and to avoid human exclusion and poverty, knowing that those suffering the most under the current crisis are the poorest people in every country.

Let us together celebrate the many achievements of the social work profession on all continents, and also together make the Global Agenda for Social Work and Social Development a reality.

HAPPY WORLD SOCIAL WORK DAY from the European IFSW executive committee.

Nicolai Paulsen

President of the IFSW European Region

[International Federation of Social Workers – Europe e.V.]

terça-feira, 15 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

CONFERÊNCIA DA ENSACT - BRUXELAS 10 A 13 DE ABRIL DE 2011


Inscrições ainda abertas para a participação nesta 2ª Conferência da ENSACT

Acção Social na Europa: Desenvolvimento Social Sustentável e Desafios Económicos

http://www.ensact.org/